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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A sociedade entre duas lógicas: ler ou não ler


A sociedade sabe da importância da leitura na vida de crianças, jovens e adultos. Ler favorece a aprendizagem, contribuindo para uma visão ampla da cultura. Ler é olhar o mundo de outra forma. Em uma visão dialética, a pessoa transforma o texto pelo seu olhar situacional, ao mesmo tempo em que a própria pessoa é modificada pelo contato textual. Em suma: ler é necessidade vital.

Mas o que acontece com as nossas crianças e adolescentes que não gostam de ler? Onde estaria o problema de não gostarem de ler? Na família, já sem tempo para os prazeres das letras, apenas preocupada em sobreviver? Na escola, com suas infinitas cobranças de tarefa escolar, que elevam o enfado das crianças quando ouvem a palavra leitura? Ou a causa estaria no momento atual, marcado pela mídia de consumo e dos atrativos da Internet? Talvez as respostas passam pelas vias citadas: família, escola e o consumo divulgado pelas mídias.

Formar leitores na família talvez esteja fora de moda. Mas até pouco tempo se aprendia a ler e escrever no lar. Contudo, as famílias estão buscando a sobrevivência nesta sociedade competitiva. Os baixos salários e o desemprego dos homens forçam as mães de família também a trabalhar. Eram as mães as maiores responsáveis pela educação doméstica, e com certeza as que liam histórias infantis para seus filhos antes de dormir. A família pede um tempo para ler...

Por sua vez, a escola percorre seu caminho na modernidade com meios antiquados. A maioria das escolas não tem uma proposta de formação pela leitura. Em muitas delas a biblioteca serve de depósito. Faltam livros, o acervo está desatualizado, faltam funcionários para o atendimento, e principalmente, um ambiente propicio para serem realizadas leituras prazerosas. Nas aulas, há um falso consenso de que a leitura deve ficar sobre os ombros dos professores de português. Nas demais disciplinas, ler não faz parte da metodologia de ensino do professor. E, muitas vezes apenas se ler tendo como foco as provas bimestrais. O professor é refém do livro didático, pois se torna seu único instrumento para o ensino na escola. Uma pobreza!

Nossa sociedade vive o tempo do consumismo desenfreado. Nunca antes se vendeu tantos aparelhos celulares. Os meios de comunicação divulgam produtos de consumo pela propaganda. Na mídia se defende a comunicação como fator de desenvolvimento social. A qualidade dessa comunicação é questionável. Entretanto, percebe-se que há mais visitas nas casas de internet do que em livrarias. Ler ainda é interesse de poucos. A sociedade de consumo investe em valores questionáveis, como o consumismo exacerbado, que leva as pessoas às ilusões do mundo global. Mundo carente de afeto pelo contato humano.

E isso é preocupante. Sem incentivo à leitura não haverá desenvolvimento social. O Brasil caminha a passos lentos na formação de quadros profissionais para a produção de ciência e tecnologia. São poucos os alunos do ensino básico que gozam de uma formação básica em leitura, escrita e matemática. Segundo pesquisas, nossos trabalhadores passam menos de cinco anos na escola. Isso é péssimo para o crescimento do país, com efeitos nefastos no acesso dos mais pobres aos direitos sociais mínimos: saúde, trabalho, moradia, educação etc.

É bom dizer que a leitura é um requisito mínimo para que alcancemos uma nova ordem social. O Brasil tem 15% de sua população, em pleno século XXI, ainda em situação de analfabetismo. A leitura deve ser um direito social garantido a todos, especialmente aos mais pobres e esquecidos de nosso país.

Assim, governo e sociedade civil devem ter uma meta em vista: o acesso irrestrito de todos os brasileiros aos materiais portadores de leitura: jornais, livros, revistas etc. A alfabetização de adultos, a construção e manutenção de bibliotecas, o investimento no ensino básico, a compra de livros para lugares pobres do país são algumas medidas que podem melhorar os níveis de leitura na família, na escola e na vida.

João Cavalcante Filho,
Pedagogo e professor na rede estadual de ensino na E. E. Nilo Peçanha.


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